postNos anos 2000 vimos a batalha das gravadoras contra o download ilegal de arquivos de música na Internet. Milhões foram gastos com custas de processos, enormes e influentes empresas fecharam ou foram vendidas. Vamos usar o Napster como o exemplo clássico. Hoje a empresa existe, mas com uma função diferente daquela época. O mais interessante dessa história que queremos chamar sua atenção: a supremacia e poder milionário das gravadoras não resistiram. Por que?

Erro crasso de avaliação

O cerne do que estava acontecendo não foi entendido pelas gravadoras. Hoje temos artistas menos dependentes, iniciativas de croud-funding (financiamento coletivo), maiores ganhos com shows super produzidos e muito mais. A forma de se consumir música está em permanente mudança. Já reparou que os computadores mais recentes nem mesmo tem leitores de DVD/CD? As gravadoras tinham uma ameaça aos seus negócios, as vendas caíam vertiginosamente. Avaliaram que lutar contra as empresas que facilitavam que os consumidores fizessem download era o melhor caminho.

Um erro que se repete: concorrência e inovação

[Editado: o bloqueio do Whats App do dia 16 de dezembro pode ter sido retaliação à não cooperação com a justiça mas especula-se envolvimento das operadoras de telefonia] Acompanhamos as tentativas das operadoras de telefonia em encontrar uma forma de bloquear o uso do What’s App, operadoras de TV à cabo implicando com serviços como o NetFlix, profissionais do transporte de passageiros, especialmente os taxistas, reagindo de formas grotescas ao Uber, chegando ao ponto de cercar carros e espancar até mesmo clientes.

É melhor lutar com agressividade para proteger nosso modus operandi de ganhar dinheiro ou criar novos formatos de consumo?

No final dos anos 70 a Sony investiu em um novo formato para se ouvir música: o Walkman. Você podia gravar fitas customizadas da sua coleção em casa e ouvir onde você quisesse. Alguns da empresa criticaram e apontaram falhas. Porém foi um sucesso arrebatador. A Sony criou uma nova possibilidade de curtir música! Assim como fez o iPod e demais mp3 players. Posteriormente, enquanto gravadoras agonizavam, vimos surgir grandes lojas de venda de mp3. iTunes, Amazon, cada pequena gravadora e bandas independentes usando o download gratuito como forma de divulgação. Atualmente temos o Spotify, serviço com pagamento mensal de streaming. Isso cimentou de vez uma nova forma de lidar com a música. As gravadoras incapazes de se adaptar viram ou vão ver seus reinados ruírem, algumas literalmente.

Direcionar a energia para algo construtivo

O MeHa não concorda com a pegada agressiva, com a vontade cega de proteger formatos: não há milagres nem eternidade no mercado. O consumo é fluido e o recado às operadoras, aos taxistas e quem mais que olha para o mercado com medo, está dado: ameaças devem ser entendidas como oportunidades de adaptação. Ao invés de deixar o foco no que está dando errado, mais e mais é necessário ser criativo e proporcionar novas experiências aos clientes.

Uma empresa antenada deve revolucionar

Seus clientes estão migrando para outros serviços? Estão deixando seu produto de lado? Qual é a inovação da concorrência? Por que a inovação desta nova concorrência é minha concorrente? Reúna com seus aliados e ataque com o que você tem de melhor: experiência, solidez e capacidade de ação. Como? Onde estão seus colaboradores mais criativos? Como vai o departamento de desenvolvimento de novas soluções? Quem pode me dizer o que está acontecendo? Como virar o jogo?

Utopia? Veja alguns exemplos interessantes de adaptação:

IBM: a gigante dos servidores e estações de trabalho vendia até mesmo notebooks. Notou que novas empresas como a Dell mudavam a forma de consumir novos computadores. A empresa fez longa adaptação e hoje vende serviço. Soluções. Seu nome se manteve no hall de empresa fundamental para o desenvolvimento do mundo como o conhecemos.

McDonalds: é notório como a franquia se adaptou às exigências de comida saudável, respeita regionalismos e foca no seu Mac Lanche Feliz, com ações de Marketing notáveis que andam junto com sucessos temporários. Adaptação e foco nas qualidades, ao invés de se manter ditadora do que é fast-food, oferecendo apenas hamburgueres e batata sempre com a mesma configuração. O crescimento de redes como Subway foi o maior aviso de “adapte-se ou feche”.

Cervejaria Bohemia: a empresa se posiciona como cervejaria tradicional, porém assistiu a um boom de micro-cervejarias no país. A solução foi entrar de cabeça nesse mundo, comprando algumas micro-cervejarias e entendendo que o perfil do seu consumidor mudou: agora ele realmente está preparado para degustar produtos de qualidade. A empresa está lançando produtos em cooperação com as micro-cervejarias, algumas com prêmios notáveis. Como lutar contra isso? Ao invés de se proteger, a decisão foi aliar-se e caminhar junto à tendência.

Táxis de Belo Horizonte: muitas pessoas nem notam a presença do Uber em Belo Horizonte. Os taxistas da cidade já foram eleitos os melhores da América Latina, o uso de aplicativos melhorou ainda mais o serviço e parte dos taxistas, ao invés de lutar, estão oferecendo serviço ainda melhor: mais cortesia, carros impecáveis. Assim dão mais motivos para os fieis clientes se manterem fieis e satisfeitos. Cabe ao seu sindicato lutar para que o governo exija dos concorrente a mesma regularização.

Não precisamos mencionar empresas que beiravam a falência, como a Apple, que estão na ponta das mais valiosas e alteram seu status com uma radical dose de criatividade e design. Ao invés de ir contra se pensou: o que este segmento não pratica e eu posso tomar? Os consumidores pagariam mais por mais?

Resumo da ópera

O seu maior bem são os talentos dentro da sua empresa. Mantenha os olhos sobre eles e escute seu capital humano. Proporcione momentos criativos e premie a inovação! Não há milagres no mercado, há inovação!

Precisa de um empurrãozinho? Converse com a gente! A Consultoria em Inovação tem exatamente este enfoque!