Estamos diante de algumas situações bem peculiares que apenas um cenário de crise econômica deveria nos proporcionar. Venho repetindo que o problema mais gritante atualmente está escondido, ignorado e maltratado: sérios problemas de Gestão de todo tipo. Esse texto traz boas ideias para Gestão Empresarial e Pessoal diante de problemas que temos visto neste cenário de crise. Como se adaptar, como melhorar?

Situação 1

Gerou comoção nas redes sociais, especialmente nos fóruns, onde acompanhamos relatos pessoais: empresas que abrem vagas com imensa responsabilidade, excesso de atribuições, conhecimento e mais, necessidade de planejar e operacionalizar sozinho. Isso costuma acontecer em Marketing. A cereja do bolo: o empregador ainda chantageia o mercado oferecendo um salário irrisório pois certamente, nesta crise, alguém desesperado aceitará. E o talo da cereja: ainda revelar esta estratégia medonha para os candidatos que questionam o salário.

Situação 2

Gestores que enfrentam emagrecimento de fluxo mensal de receita, foram obrigados a demitir e deixam de oferecer certas atividades porque não há profissionais que o façam na empresa. Houve tentativas, mas a equipe que restou do seu quadro certamente não conseguirá fazê-lo a contento. Sabemos que as atribuições e reorganização nesses casos pode ser bem tensa. De fato, estamos batendo recordes de desemprego, pois o peso de impostos e obrigações praticamente faz com que os empresários “gastem” com o colaborador o dobro dos salários. Aqueles que valorizam os profissionais realmente passam mal bocados.

Olhamos para 2 péssimas situações vividas por 2 lados da história. Gostaria de compartilhar um aprendizado de 20 anos trabalhando, pode ser que se faça luz sobre algumas questões.

abstract-maze-vector-background-01Sempre há 2 lados

Devemos sempre lembrar desses 2 lados diferentes e que temos bons profissionais e maus profissionais, que solucionam as questões como querem ou como podem. Disse que somente cenários de crise deveriam proporcionar aberrações mas sabemos que não é assim. Muitas vezes o empregador que quer valorizar e pagar seus impostos em dia vai sim se deparar com cenários de terror. Várias e várias vezes você, candidato, ouvirá e lerá absurdos em vagas, isso não é privilégio do Brasil. Qual a solução?

Preparo. Evolução.

Um evolui, outros evoluem. Outros evoluem, o mercado evolui.

Como o empresário pode evoluir?

Colega, está se espalhando a cultura da Consultoria. Beba da fonte da Administração de excelência – leia-se PLANEJAMENTO. Nunca se abriu tanta micro empresa individual no país. Dê uma olhada no Google, veja quantos profissionais estão por aí para ajudá-lo sem que você precise contratar.

Outra boa ideia: que tal observar os líderes da sua empresa e atribuir de forma partilhada os cargos que sua organização precisa para futuramente ter uma equipe de estrelas na Administração?

Você que é dono, não há outra solução: mente aberta. Como você pode contribuir mais para a saúde da empresa? É realmente você que deve administrar?

(recomendo ler clássicos que falam de comportamento empreendedor para empresas, como os do papa Peter Drucker)

Como o profissional pode se adaptar?

A cultura de estudar, ir à faculdade e arrumar um bom emprego já foi por água abaixo. Ensino superior não implica em sucesso num mercado tão competitivo, vamos encarar os fatos. Se tem algo que aprendi nesses anos todos é que cada profissional trabalha melhor de dada maneira. Você pode e deve descobrir como. Ao avaliar uma pós-graduação da Fundação Dom Cabral, observei que o primeiro passo é semelhante a um processo de coaching, ou seja, é uma excelente ideia o aluno se conhecer para evoluir como profissional. Considere passar por um processo de coaching, não é barato mas vale cada centavo.

Conhecer como você mesmo implica em tomar as rédeas da sua vida profissional. Ter metas de curto e longo prazo. Já viu em filmes pessoas trabalhando como garçom, etc, porque passaram por uma crise? Aqui no Brasil já ouvi colegas de pós confessar com pesar que estão trabalhando como taxistas (mesmo ganhando 4x mais o que eu ganhava na época, o pesar manteve-se). Se tudo faz parte de um plano, aquele trabalho é temporário e não define quem você é. Defina um plano de salário para você financiar o que você considera riqueza.

(recomendo conhecer sobre coaching, segue link do Instituto Brasileiro)

Muito diferente é aceitar um salário inadequado como mostrado na situação 1. Salário baixo, baixa responsabilidade, baixa complexidade. É assim que deveria funcionar. Se te oferecerem um salário inadequado ao seu planejamento, agradeça e vá embora, espalhe para os amigos discretamente a sacanagem feita pela empresa. Talvez a Direção da empresa nem saiba a prática tomada pela gestora de RH.

608465-01E quando o cenário obriga certas mudanças?

Muito se ouve protestar contra terceirização, mudanças na aposentadoria. Ok, mudar as regras do jogo sempre gera incômodo. Benefícios conquistados são o que são. Ok, mas e quando o cenário obriga a uma mudança? Se temos mais de 10% de desemprego, significa que a competição estará mortal, que realmente não há empregos. Volto a dizer: nunca se abriu tanta micro empresa individual no país. Como PJ você não tem 13°, férias, INSS, certo? Só se você não quiser. Como nas empresas, o planejamento é tudo.

Mesmo que você funcione melhor com a CLT, com horário 8-17 fixo, se o emprego não vem, amplie suas possibilidades de trabalhar. A adaptação é quase obrigatória pra quem precisa por comida na mesa. Antes de considerar o Marketing de Rede, que tal continuar trabalhando no que você vem desenvolvendo como expertise há tempos? Verifique franquias, ferramentas virtuais que podem auxiliá-lo a conseguir se vender e prestar serviço.

Se você, mesmo após praticar a autonomia, mesmo após consultar amigos, colegas, o MeHa, ainda não é assim que você gosta de trabalhar, tudo bem, se conhecer é o principal. Mas dê espaço para o que a crise pode proporcionar de melhor: capacidade de adaptação. Não penso em trabalhar de outra maneira, senão autônoma: valorizo e mensuro cada hora gasta com os clientes. Valorizo e considero riqueza cada hora gasta em diversão, com minha família. Grandes projetos, grandes conquistas merecem grandes comemorações. VOCÊ diz quando.

E para as empresas que se tornam vilãs da história, sugam ao máximo, não valorizam e fazem leilões de profissionais; se valem de paliativos constantes, vivem de apagar incêndios, não ligam em dever ao invés de planejar, enfim… boa sorte. A semeadura é opcional, a colheita obrigatória.

 

João Marcelo Costa é Consultor de MKT e Inovação no MeHa